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PAIS E FILHOS: AUTORIDADE E AFETO

Pais precisam retomar a autoridade sobre os filhos para serem respeitados e amados



Os pais da geração atual batalham para vencer na vida e cultivam o pensamento de dar aos filhos tudo que não tiveram, na maior das boas intenções. E esse é o grande erro. Doar-se demais para os filhos, ao ponto de não perceber quão mimados e mal-educados eles estão se tornando. Essa realidade faz parte de muitas famílias: pais e mães que se sentem culpados por alguma falta e tratam seus filhos como injustiçados.

Em gerações anteriores, cabia aos responsáveis pelo sustento da casa uma posição de prioridade e respeito diante dos filhos. A hora das refeições era um bom exemplo. Os pais sempre ficavam com a melhor parte do frango: a coxa e o peito. Para os filhos, restava a asa e o pescoço.


Hoje, esses filhos, fruto de uma educação rígida, cresceram e tiveram seus próprios filhos. Porém, nessa nova geração algum valor se inverteu. Agora estão no lugar de pais e mães, porém continuam comendo a asa e o pescoço. O que mudou? O sentimento de culpa.


Para aliviar-se da culpa, muitos pais se colocam no lugar de amigos dos filhos e oferecem o melhor. Cedem “a coxa e o peito”, ficando, novamente, com a “asa e o pescoço”. Resultado: pais cada vez mais perdidos, sem conseguir impor limites e filhos rebeldes que tomam conta da casa. Quem manda na casa são os pais. Existe a necessidade de os pais reassumirem seus papéis de educadores na vida dos filhos, com base em pilares como respeito e valores fundamentais para a formação de pessoas mais equilibradas e felizes.


Hoje, os pais têm perdido a autoridade sobre os filhos. Na busca de sempre agradá-los, criam crianças e jovens cada vez mais frágeis, algumas vezes egoístas, incapazes de lidar com adversidades e enfrentar o mundo além das suas casas. Educar é um desafio. O primeiro passo para os pais é retomar a sua autoridade e criar seus filhos mais preparados para a vida.

Portanto, o que os filhos dessa geração precisam é exatamente da “asa e pescoço”. Para voar, para que haja vontade de conquistar e a percepção de que toda conquista é proveniente do próprio esforço, fruto de muita luta. Ninguém pode fazer por você. São as dificuldades da vida nos dão competência, dignidade e respeito. Quem poupa esforços não ensina a caminhar.


Eliziane Rosa

Psicoterapeuta

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